Entrevistas

Rafael Pitanguy em entrevista

por Criazine 03 Nov 2015

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Hoje temos Rafael Pitanguy em entrevista, ECD na reconhecida agência brasileira AFRICA é este ano Presidente de Outdoor dos Prémios Lusos.

Vamos saber um pouco mais.



A Africa no último ano foi Agência de Propaganda do Ano no Lusos e o Rafael veio a Lisboa receber o prémio. Qual o significado para si e para a agência?


Todos sabemos da importancia do Premio Lusos. Mas acredito que para mim, ele  carrega um significado ainda maior. Ao longo de minha carreira tive a oportunidade de criar tanto para o mercado Brasileiro como para o Portugues e o Angolano. Logo, essa pluralidade da lingua portuguesa e essa riqueza cultural que ela representa tem acompanhado toda a minha vida profissional. Compreensível que esse reconhecimento tenha sido um momento tão emocionante.

Para a agencia, acho que a percepção é bem parecida. Afinal, que outra agencia carrega no próprio nome uma palavra que representa tanto da história de nossa lingua e cultura? Por mais internacional que a agencia seja, nossa cultura está nos enormes retratos do Jorge Amado, nas fotos de Pierre Verger durante seu periodo na Bahia, nos livros de arte portuguesa que voce encontra pelas salas. A Africa sempre celebrou a lingua portuguesa. Dessa vez, foi a lingua portuguesa quem celebrou a Africa.


 Este ano podemos contar com uma Africa forte na revalidação do título?

 

Ai estaremos, com bons trabalhos. Mas prefiro não fazer previsões sobre a revalidação do título.


Como é que o Rafael olha para o momento que a propaganda brasileira atravessa?


Esse é, sem dúvida, o momento de maior transformação da propaganda brasileira, desde que iniciei na profissão. As mudanças vem acontecendo nas mais diferentes esferas. Primeiro, temos um plano mais macro, de uma crise política e econơmica que influencia diretamente em investimentos e perspectivas. Essa sensação de pessimismo e descredito além de influenciar diretamente no dia-a-dia das agencias, também mexeu muito com cabeça dos criativos, levando muitos profissionais a optarem por vagas fora do país. Além disso, também tivemos alguns dos maiores publicitários brasileiros saindo de suas agencias – nomes como Marcelo Serpa e Celso Loducca. Porém, falando assim, parece que a situação é apenas ruim. O que a meu ver não é verdade. Acredito que momentos assim, de mudanças profundas, nos levam a repensar modelos que talvez já devessem ter sido repensados há algum tempo. É aquela maxima de que crises são o motor da mudança.


O que é que a Africa tem feito do ponto de vista da criação para combater esta crise que o Brasil atravessa?

 

Desde o início da crise, a Africa adotou uma postura de liderança. Aqui, existe uma crença de que os problemas só se resolvem quando voce os encara de frente. Afinal, todos sabemos que passar os dias falando sobre a crise não vai melhorar a realidade em nada. Outro dia o Nizan usou uma frase que resume muito bem esse ponto de vista: “vamos falar do remédio e não da doença”. E é isso que temos feito, buscando nos puxar ainda mais em processos e criatividade, dois dos possíveis remédios para a situação. Por maiores que sejam as dificuldades, muitos dos melhores trabalhos da agencia foram feitos esse ano.


O Rafel vai ser Presidente de Júri de Outdoor. Como encara este desafio? O que podemos esperar de si como presidente de júri?

 

Sou fã da categoria outdoor. Até porque,  a meu ver, essa é a mídia que melhor se reinventou com todas as mudanças vindas do digital. É incrivel ver como tradição e modernidade conviem em harmonia – a midia outdoor é um verdadeiro convite a inovação .  Como presidente do júri acho que é isso que devemos buscar, ideas e execuções que só poderiam existir dentro desse espaço.

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