Entrevistas

Eduardo Tavares da FCB dá 11 dicas para criar sua pasta de Diretor de Arte

por Criazine 08 Out 2015

eduardo

Depois de termos pedido ao Marco Pulido da BAR as suas 10 dicas para montar uma boa pasta de redator, decidimos agora pedir ao Eduardo Tavares (Diretor de Criação da FCB Lisboa) que nos desse 10 dicas para montar uma boa pasta de Diretor de Arte. O brasileiro a criar em Portugal foi mais longe, deu 7 dicas para montar sua pasta e ainda 4 dicas para “construir” um Diretor de Arte. Imperdível!


 


 

7 DICAS PARA CONSTRUIR UMA PASTA DE UM ART DIRECTOR


O carro abre-alas:

Durante o tradicional carnaval brasileiro, toda a escola de samba que desfila, possui um carro abre-alas. É o veículo que chama a atenção do público para o que se segue. No seu portfólio esse carro também deve existir. É aquela sua melhor peça. A que vai fazer com que você seja lembrado (ou solenemente ignorado). Tem que ser seu melhor material. Pode ser um filme, uma ativação, um print, um mailing, enfim, qualquer coisa. Só que tem que ser a melhor de todas.


Think small: 

Só coloque o que é realmente bom. A não ser que você tenha 15 Leões e 18 One Shows, raramente alguém quer ver um portfólio com 33 (acho que fiz a conta certa) peças. Escolha bem, mostre a pasta a outros profissionais próximos, peça (e principalmente, aceite) opiniões daqueles que você respeita, antes de montá-la. O filtro básico é: será que você mesmo gostaria de ver a sua pasta e tudo aquilo que lá está?


Não ponha todos os ovos na mesma cesta:

Um diretor de arte tem a responsabilidade de criar e deixar bonito todo tipo de formato. De uma campanha multi-meios a um teaser de e-mail marketing. Tem de diversificar nos tipos de meios. Activações bem pensadas e bonitas, prints especialmente bem resolvidos, materiais online, e até mesmo spots de rádio, porque não? Hoje em dia, nenhum formato é exclusividade do art director ou do copy. Quem manda é a ideia. Por isso, tenha uma pasta o mais diversificada possível. Só tenha cuidado para não esquecer do ponto anterior.


Proactividades sim. Fantasmas não:

Proactividades são aquelas peças que surgem sem briefing, de um insight interessante que servirá a algum cliente da agência. Elas serão apresentadas e devidamente aprovadas ou não. Se sim, e se forem realmente bons trabalhos, podem fazer parte da sua pasta. Agora, aquele fantasma para Tabasco, Nike, Old Spice ou qualquer outro cliente com o qual você nunca teve a oportunidade de trabalhar, não. Não interessa se isso é seu maior hobby. Não servirá de nada e só puxará o seu portfolio para baixo.


O diabo está nos detalhes:

Como art director, todo o trabalho que colocar no seu portfolio deve estar alinhado do início ao fim. Desde as grandes coisas como uma boa escolha de imagem, ilustração, fontes e cores até pequenas coisas como um packshot bem pensado, em que há equilíbrio entre o belíssimo logo/produto do cliente e aquele monte de palavrinhas chamadas “conceito” que aquele gajo que digita o dia inteiro ao seu lado criou.


Menos blá, blá, blá”

Nesse item, pico na cara dura um trecho do texto do grande Marco PulidoConcordo plenamente e nunca é demais repetir:

“Voltamos ao início e ao mais importante em qualquer portfólio. BOAS IDEIAS. Para impressionar, elas não precisam de explicação, resultados e raciocínios em esquemas de 12 passos com deduções lógicas, do briefing aos estudos de avaliação da campanha. As ideias falam por si (e por ti). Não tentes disfarçar uma má ideia com muito blá, blá, blá. Isso nunca vai ser uma boa ideia.”


Diretor de…

Arte. Você tem que ter alguma coisa na sua pasta que reflita isso. E não digo isso só em anúncios e filmes. Projetos pessoais também são bem vindos. Um art director tem que ser curioso e buscar coisas que o realizem ao mesmo tempo que expressem alguma forma de arte. Desenho, pintura, fotografia, animação, lettering, poesia, música ou bordado…enfim, qualquer tipo de expressão individual que reflita a arte. Que ela não seja só um nome no seu cargo, mas sim uma presença constante no seu trabalho e especialmente na sua vida.



4 DICAS PARA CONSTRUIR UM ART DIRECTOR

Insistência

Como diria o bom e velho Rocky Balboa: “Importante não é o quanto você bate, mas sim o quanto você apanha e consegue continuar de pé.” Publicidade é um exercício contínuo de frustração. Não tem jeito, numa profissão em que 95% do seu trabalho vai para o lixo, você tem que estar preparado para insistir. Não é nada pessoal contra você. O seu trabalho vai ser mais mexido que o Tejo em dia de tempestade. E você tem que estar preparado para isso. Nessa área, não basta ter talento. Já conheci diversos diretores de arte talentosíssimos que ficaram pelo caminho porque simplesmente desistiram na primeira, ou segunda, ou terceira (talvez na ducentésima) vez que tiveram algo recusado. Tem de ter jogo de cintura para a pedreira dos “nãos” do dia-dia.  


Referência

Diretor de arte tem que ter referência. Todo o tempo livre é uma oportunidade para buscar novas tendências. Seja em publicidade (nem preciso falar aqui que os materiais de Cannes são obrigação. São os caminhos da nossa indústria e devem ser estudados. Está cada ano mais fácil ter acesso, então não há desculpas), seja em sites de referências (calma no FFFound), e especialmente no mundo real (museus, exposições, cinema, etc). Tudo é combustível para o seu trabalho e devemos armazenar o máximo possível.


Rough

É sua obrigação saber “rafear”. Atenção, eu não disse “ilustrar”. O rough é um esboço super simples (bonecos-palito e objetos disformes servem) feito com o objectivo de exemplificar uma ideia. O rough é uma economia gigantesca de tempo, seja para você ou seja para o seu diretor criativo. Tempo esse que vai servir para você ter ainda mais ideias, ao invés de ficar penteando um board ou maquete antes mesmo dele ser aprovado. Além disso o processo de “rafear” livremente sobre um papel em branco é muito mais criativo e libertador do que simplesmente tentar fazer algo no computador. O que pode gerar ainda mais ideias. Experimente.


Não seja babaca

Babaca: do tupi guarani – BA: aquele que é / BACA: um grandíssimo de um otário. Ou seja: escute as opiniões dos outros sem chorinho. Respeite os seus superiores. Demonstre vontade. Seja simpático com todos. Seja proactivo. Ajude. Enfim, entenda que o mundo da publicidade não gira em torno do seu umbigo. Não ser um babaca é um ótimo primeiro passo para progredir nessa área.


Eduardo Tavares, Diretor de Criação da FCB Lisboa

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